O evento, promovido pelo Ministério de Minas e Energia em parceria com a Global Energy Alliance, reuniu autoridades como o ministro Alexandre Silveira e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para apresentar os próximos passos do Programa Energias da Amazônia, que deve impactar até dois milhões de pessoas.
“Energia não vai por telefone”, diz presidente
Ao comentar as dificuldades de levar energia para áreas remotas, Zimmerman explicou que o principal desafio é estrutural e geográfico.
“Energia não vai por telefone, não vai via satélite. Ela precisa de meio físico”, afirmou.
Ele relembrou o processo de interligação de Manaus ao Sistema Interligado Nacional por meio de uma linha de 500 kV vinda de Tucuruí, que retirou a capital do sistema isolado. No entanto, destacou que nem toda a Amazônia poderá ser interligada.
“Tem áreas que não vão ser interligadas nunca. Você conhece a Amazônia. Não tem estrada. A estrada é o rio. E a seca cria uma situação crítica.”
Segundo ele, a dimensão territorial do Amazonas impõe soluções diferenciadas. “Pega toda a região Sul e Sudeste e põe aqui dentro”, comparou, ao destacar que 70% do mercado consumidor está concentrado na Região Metropolitana de Manaus, enquanto 30% está espalhado pelo interior.
Redução do diesel e usinas híbridas
Um dos pontos centrais da entrevista foi o esforço para reduzir a geração de energia a diesel, historicamente predominante nas cidades isoladas.
“Se eu hibridizo uma planta, colocando bateria e painel solar, posso reduzir as emissões em até 38% ou 40%”, explicou.
A chamada hibridização combina energia solar, baterias e geração térmica, utilizando o diesel apenas quando necessário. A estratégia já está sendo aplicada, como no caso da usina híbrida de Maués, operada pela Oliveira Energia.
Zimmerman destacou que o modelo foi viabilizado após a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) permitir a hibridização nos leilões de energia para sistemas isolados.
“Você forma um sistema inteligente, usa a bateria nos melhores momentos, a solar quando tem sol, e o diesel só quando precisa.”
Comunidades totalmente isoladas e impacto social
Para comunidades de difícil acesso, o modelo adotado é o SIGFI (Sistema Individual de Geração de Fonte Intermitente), que leva kits solares com baterias para localidades pequenas e isoladas.
Zimmerman citou como exemplo o Lago do Piranha, onde 70 casas flutuantes receberam sistemas solares com capacidade de consumo médio de 80 kWh por mês.
O impacto vai além da iluminação:
“A senhora lá ficou feliz da vida. Podia ter freezer, geladeira. Podia fazer sorvete para vender. Congelar peixe para levar à cidade. Isso dá um aspecto social muito importante.”
Ele comparou com projetos antigos, das décadas de 1980 e 1990, que permitiam apenas acender uma lâmpada. Com a queda no custo da energia solar, os sistemas atuais passaram a viabilizar atividades produtivas, fortalecendo a bioeconomia e a renda local.
Papel da distribuidora e políticas públicas
Zimmerman fez questão de esclarecer que a Amazonas Energia atua exclusivamente na distribuição, não na geração.
“A Amazonas Energia é uma distribuidora. Não adianta perguntar se vamos fazer geração de energia do lixo. Pelo modelo, ela só distribui.”
Ele ressaltou que projetos de geração dependem de políticas públicas e leilões promovidos pelo governo federal, nos quais empresas privadas podem disputar para vender energia às distribuidoras.
Segundo ele, qualquer política energética para a região precisa considerar as particularidades amazônicas:
“Falou em Amazônia, não posso baixar a qualidade. Tem critérios rigorosos para entrar aqui.”
Desempenho e desafios regulatórios
O presidente reconheceu que a empresa enfrentou problemas no passado, incluindo questões ambientais e desempenho nos indicadores regulatórios, como DEC e FEC (que medem duração e frequência das interrupções de energia).
“Tínhamos uma situação caótica. O que era péssimo passou a ter outro patamar.”
Ele destacou que a atuação da ANEEL foi fundamental para reestruturar o modelo e garantir maior qualidade no fornecimento.