Fumaça atinge Manaus (Foto: Divulgação)
Mais uma vez, Manaus e cidades da região metropolitana convivem com a fumaça provocada por incêndios ambientais. E, para quem está do outro lado, isso não é apenas uma discussão sobre meio ambiente. É sobre conseguir respirar.
Para muita gente, a fumaça significa olhos ardendo, garganta irritada, tosse e dificuldade para respirar. É um problema que chega dentro de casa e muda a rotina de milhares de pessoas.
Nesse cenário, volta também a cobrança nas redes sociais para que artistas e celebridades se manifestem sobre a Amazônia, o chamado “Salve a Amazônia”. É válido cobrar de quem tem grande alcance que ajude a chamar atenção para um problema tão grave. Mas essa cobrança não pode esconder quem realmente tem a obrigação de enfrentar a situação.
Artistas podem dar visibilidade ao problema, mas quem tem poder para fiscalizar, investigar, punir e criar políticas permanentes de prevenção são os governos e os órgãos públicos.
E os parlamentos também precisam entrar nessa discussão de forma mais efetiva. Em vez de agir apenas quando a fumaça já tomou conta das cidades e a floresta está queimando, deputados e vereadores poderiam discutir propostas que aumentem a prevenção, fortaleçam a fiscalização e façam quem provoca incêndios ilegais entender que poderá ser responsabilizado de forma mais rigorosa.
A sensação que fica para a população é que, ano após ano, o problema se repete. A fumaça volta, os incêndios voltam e as medidas de emergência também. Quando o ar fica irrespirável, surgem ações para tentar amenizar os efeitos daquele momento. Depois, quando a fumaça diminui, o assunto perde espaço novamente.
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Mas incêndio ambiental não deveria ser tratado como uma emergência que aparece todo ano. Se já sabemos que o período de seca aumenta o risco e que grande parte dos incêndios tem relação com ações humanas, a prevenção precisa acontecer antes do fogo. Mas não vemos isso acontecer de fato.
No fim, não se trata de escolher entre cobrar artistas ou cobrar governos. A sociedade pode cobrar todos. Mas não podemos colocar no mesmo lugar quem tem apenas voz e alcance e quem tem a responsabilidade legal, estrutura e dinheiro público para fiscalizar e combater o problema.
A pergunta que precisa permanecer depois que a fumaça for embora é: o que será feito para que, no próximo ano, a população não precise respirar novamente esse mesmo problema?
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