(Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
BRASÍLIA (DF) – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, respondeu à declaração do senador pelo Amazonas Plínio Valério (PSDB), classificando a fala como uma forma de incitar a violência contra uma mulher, e afirmando que não considera natural a divergência sair do debate político para o incentivo à violência.
“Quem brinca com a vida dos outros ou faz ameaça de brincadeira e rindo? Só os psicopatas são capazes de fazer isso”, reforçou.
Em discurso público na última sexta-feira (14), Plínio Valério disse “imagine o que é tolerar a Marina seis horas e dez minutos sem enforcá-la”. Para a ministra, isso transparece ainda a postura misógina do político.
“Dificilmente isso seria dito se o debate fosse com um homem. É dito porque é com uma mulher preta, de origem humilde e uma mulher que tem uma agenda que em muitos momentos confronta os interesses de alguns”, acrescentou
As declarações de Marina Silva foram dadas durante sua participação no programa Bom Dia Ministra, do Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação.
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A ministra reforçou que esse tipo de violência ainda acontece o tempo todo e induz a outras reflexões.
“Se uma mulher que consegue se tornar governadora, prefeita, deputada, senadora ou ministra sofre violência política de gênero; [sofrem ainda] mais as mulheres de um modo geral, aquelas que não estão em posição muitas vezes de visibilidade”, reforçou.
Nessa quarta-feira (19), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), repreendeu Plínio Valério, durante discurso em plenário.
“Da mesma maneira que eu trato todos os senadores com imparcialidade, lealdade, carinho e atenção, eu precisava fazer essa manifestação. Não concordo com muitas posições ideológicas da ministra de estado do Meio Ambiente em relação ao país, mas acho que o senador Plínio Valério precisa fazer uma referência a essa fala, até mesmo para justificar se foi fala equivocada”, cobrou Alcolumbre.
Plínio disse que Alcolumbre deveria ter conversado em privado com ele antes da manifestação em plenário. “Pegou mal pra cacete”. Ele também disse que não repetiria a fala ofensiva sobre Marina, mas não se arrependia.
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