Manaus – A instabilidade financeira na rede pública estadual de saúde ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (24), com os médicos voltando a pressionar o governador Roberto Cidade pela quitação de honorários atrasados. A mais recente denúncia foi trazida a público por Francisco Cardoso, conselheiro federal de Medicina, que recebeu o levantamento das pendências diretamente de Ademar Carlos Augusto, representante do Amazonas no Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo a denúncia, embora a pressão das últimas semanas tenha surtido algum efeito prático, a conta ainda não fechou para os profissionais que atuam na linha de frente dos hospitais.
O histórico do impasse revela que, mesmo após o Governo do Amazonas ter anunciado uma injeção de R$ 84 milhões para o pagamento de honorários e outros R$ 66,9 milhões para as organizações sociais no início de agosto, os repasses não garantiram o fim da inadimplência. De acordo com o CFM, restam valores em aberto referentes aos meses de junho e julho de 2026, além de passivos que se arrastam desde 2024 e 2025. Em julho deste ano, o caso já havia ganhado repercussão quando entidades sindicais e conselhos de classe alertaram que alguns profissionais acumulavam até oito meses de trabalho sem remuneração.
A persistência do problema mantém a administração estadual sob forte escrutínio, evidenciando as dificuldades na gestão de recursos em uma das áreas mais sensíveis do serviço público. O conselheiro federal destacou que as regularizações foram apenas parciais e exige do Estado uma solução definitiva para os trabalhadores afetados. Até o fechamento desta reportagem, a equipe do Governo do Amazonas não havia se manifestado sobre o montante que ainda falta ser repassado, tampouco apresentou um cronograma para a regularização integral dos débitos.