Manaus – A recente veiculação de uma propaganda eleitoral envolvendo o vereador Sargento Salazar (PL) e seu aliado político Kidson Maia (PL) tem gerado intensa repercussão e debates na esfera pública amazonense. No vídeo, que deveria focar na apresentação de propostas para o pleito, a temática da saúde mental foi abordada de uma maneira que atraiu críticas de diversos setores. Durante a gravação, Salazar retira uma camisa de força de Kidson e utiliza termos como “doido” e “perturbado” de forma jocosa para pedir votos, o que levantou sérias discussões sobre capacitismo e os limites do marketing político na atual corrida eleitoral.
Além da controvérsia gerada pelo tom adotado na campanha, o episódio trouxe à tona questionamentos contundentes sobre o histórico profissional e clínico de Kidson Maia. Em 2012, ele foi aposentado por invalidez pela Polícia Militar sob o diagnóstico de esquizofrenia, condição médica que atestava sua incapacidade permanente para o serviço. No entanto, o candidato atualmente atua no setor empresarial prestando serviços de segurança privada e obteve um certificado de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) junto à Polícia Federal, situação que exige a comprovação de plena aptidão psicológica. Essa aparente contradição tem gerado cobranças da sociedade por esclarecimentos quanto à validade dos documentos apresentados aos órgãos públicos.
A repercussão do caso também esbarra em possíveis desdobramentos legais e éticos para ambos os envolvidos no vídeo. Especialistas do meio jurídico apontam que a encenação e o uso de linguagem pejorativa podem configurar violação à Lei Brasileira de Inclusão, que pune a discriminação contra pessoas com deficiência. Paralelamente, o vereador Sargento Salazar pode enfrentar questionamentos formais por quebra de decoro parlamentar, enquanto os laudos conflitantes de seu aliado correm o risco de motivar investigações mais profundas por parte da Corregedoria da corporação e da Polícia Federal, visando apurar eventuais irregularidades ou prejuízos à administração pública.