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Poder

Fim da Escala 6×1 avança no Senado, mas Votação Final ainda esbarra em acordo político

Relator Omar Aziz apresenta parecer favorável sem alterações para acelerar a PEC, enquanto o Planalto corre contra o tempo para aprovar a medida popular antes das eleições

Fim da Escala 6x1 avança no Senado, mas Votação Final ainda esbarra em acordo político
Fim da Escala 6x1 avança no Senado, mas Votação Final ainda esbarra em acordo político

Brasil – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da desgastante escala de trabalho 6×1 deu um passo decisivo nesta quinta-feira (27). O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentou parecer favorável à admissibilidade do texto. Em uma manobra regimental estratégica, Aziz rejeitou todas as emendas e manteve o projeto idêntico ao aprovado pela Câmara dos Deputados, evitando que a matéria precise retornar à estaca zero e abrindo caminho para uma aprovação relâmpago.

A pressa tem um motivo claro: o calendário eleitoral. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou o fim da jornada 6×1 em uma de suas principais vitrines e pressiona para que a promulgação ocorra antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A tática também serve para encurralar a oposição, forçando os parlamentares a se posicionarem sobre uma pauta de forte apelo popular às vésperas do pleito.

O Xadrez no Senado

Apesar do otimismo governista de votar a proposta na CCJ e no plenário já na próxima semana, o martelo ainda não está batido. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que recentemente ensaiou uma reaproximação com o Planalto após desgastes institucionais, evitou garantir publicamente a celeridade desejada. Alcolumbre limitou-se a dizer que o projeto receberá o andamento “regimentalmente adequado”.

Pelas regras normais da Casa, uma PEC exige cinco sessões de discussão antes de ir a voto no plenário. Para que a aprovação ocorra na semana que vem, em dois turnos, os líderes governistas precisarão costurar um acordo massivo para aprovar requerimentos de urgência e quebrar os prazos regimentais — uma decisão que passa obrigatoriamente pelas mãos de Alcolumbre.

O Que Muda Para o Trabalhador?

Caso a PEC seja promulgada conforme o texto atual, as regras de controle de jornada no Brasil passarão por uma reformulação histórica. Os principais pontos incluem:

  • Nova Carga Horária: Redução do teto semanal de 44 para 40 horas.
  • Dias de Descanso: Garantia de dois dias de folga semanais, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
  • Garantia Salarial: A redução da jornada não poderá resultar em cortes no salário ou remuneração proporcional à nova carga.
  • Transição Escalonada: O processo levará 14 meses. Uma redução inicial de 2 horas ocorrerá 60 dias após a promulgação, seguida pelo corte das 2 horas restantes um ano depois.
  • Pequenos Negócios: A proposta prevê a criação de uma lei complementar com medidas de auxílio temporário para MEIs e pequenas empresas, como a permissão para contratar mais de um funcionário.
  • Exceções: Ficam de fora das novas regras funcionários públicos e empregados do setor privado com remuneração igual ou superior a 2,5 vezes o teto do INSS.

O avanço da pauta trabalhista coroa uma semana de intensa articulação política. Na última quarta-feira (26), um almoço no Palácio da Alvorada reuniu Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para destravar a pauta do Congresso. Além do fim da escala 6×1, o esforço concentrado da próxima semana na CCJ também deve focar na votação da PEC da Segurança Pública, outro tema prioritário para o Executivo nesta reta final.

Jirau News

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