Brasil – As conversas comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos ganharam um novo fôlego na tarde desta segunda-feira (31), com a realização de uma reunião virtual entre equipes técnicas e diplomáticas dos dois governos. O encontro foi viabilizado após um diálogo direto por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, o líder norte-americano orientou formalmente sua equipe econômica a trabalhar na construção de um consenso para solucionar o impasse gerado pelas recentes sobretaxas impostas aos produtos brasileiros.
A disputa tarifária decorre de cobranças adicionais aplicadas por Washington, com alíquotas de 25% e 12,5% que, em determinados casos, podem ser acumuladas e atingir até 37,5%. O chamado “tarifaço” norte-americano passou a vigorar após uma investigação fundamentada na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, que acusou o Brasil de práticas desleais em frentes como comércio digital, regras de desmatamento, propriedade intelectual e mercado de etanol. A medida atingiu diretamente exportações nacionais de calçados, maquinários, móveis, etanol e açúcar, embora itens de grande peso na balança — como café, carne bovina e aeronaves — tenham permanecido de fora da taxação.
Durante a rodada de conversas, que contou também com a participação do chanceler Mauro Vieira (Relações Exteriores), o governo brasileiro expressou otimismo quanto à possibilidade de um termo de entendimento, mas estabeleceu limites claros para a mesa de negociação. Questionado sobre os apontamentos norte-americanos ao sistema financeiro nacional, Márcio Elias Rosa foi enfático ao declarar que a plataforma do Pix está fora de qualquer barganha regulatória. O ministro classificou a ferramenta como um patrimônio de inclusão financeira utilizado por mais de 80% da população brasileira, assegurando que o foco de Brasília é obter um acordo amplo que cesse as tarifas sem comprometer as soberanias institucionais do país.