O candidato ao Governo do Amazonas David Almeida (Avante) passou de aliado político a crítico de Wilson Lima. Em 2022, David declarou apoio à reeleição do então governador e classificou a aliança como “total e irrestrita”. Quatro anos depois, durante entrevista ao G6 nesta terça-feira (1º), passou a responsabilizar Wilson e o candidato Roberto Cidade (União Brasil) pelos problemas que, segundo ele, levaram o Estado a um “caos administrativo”.
Na entrevista, David chamou Wilson e Roberto de “os dois maiores inimigos públicos da história da cidade de Manaus” e afirmou que os dois “quebraram o Estado”. As declarações foram feitas ao responder sobre a situação financeira e administrativa do Amazonas.
A aliança de 2022
A relação entre David e Wilson era diferente durante a eleição de 2022. O Avante, partido de David, anunciou apoio à candidatura de Wilson à reeleição. Na ocasião, David declarou apoio “total e irrestrito” ao então governador.
A aliança também envolveu a composição da chapa. Tadeu de Souza, então secretário municipal de Manaus, foi escolhido para disputar a vice-governadoria ao lado de Wilson.
Na entrevista desta terça-feira, porém, David apresentou outra leitura daquele período. Segundo ele, seu apoio a Wilson ocorreu com o objetivo de buscar recursos e parcerias para Manaus. O candidato citou convênios entre Prefeitura e Governo do Estado e afirmou que parte dos compromissos assumidos não teria sido cumprida.
Da parceria à cobrança
Ao justificar sua posição atual, David afirmou que Wilson e Roberto não estiveram à altura dos cargos que exerceram e atribuiu aos dois responsabilidade pelo cenário que classificou como “caos administrativo”.
A mudança de discurso coloca a trajetória da aliança de 2022 no centro da disputa deste ano. David tenta se apresentar agora como alternativa ao grupo político que comandou o Estado nos últimos anos, enquanto seus adversários fazem parte da mesma disputa pelo governo.
A crítica também se apoia em uma afirmação mais ampla de David sobre o volume de recursos administrado durante os governos de Wilson. Na entrevista, ele citou a cifra de R$ 245 bilhões e questionou o resultado entregue à população. O valor, entretanto, deve ser tratado como estimativa apresentada pelo próprio candidato, e não como dado independente confirmado pela reportagem.
O passado volta para a campanha
A contradição não significa que David tenha participado da administração estadual. Ele permaneceu à frente da Prefeitura de Manaus e, conforme sua própria explicação, buscava manter uma relação institucional com o Governo do Estado.
Mas o apoio político de 2022 é um fato: David e seu partido estiveram na campanha de reeleição de Wilson, enquanto Tadeu de Souza integrou a chapa como candidato a vice-governador.
Agora, na tentativa de chegar ao Governo do Amazonas, David transforma justamente os problemas da gestão Wilson em argumento eleitoral contra seus antigos aliados.
O movimento expõe uma das características da eleição deste ano: grupos que estiveram juntos em uma disputa anterior agora tentam se diferenciar diante do eleitorado, enquanto antigos acordos políticos são revisitados pelos próprios candidatos.
Para David, a explicação é que a aliança tinha como objetivo beneficiar Manaus. Para os adversários, o apoio de 2022 pode ser usado para questionar até que ponto ele pode se apresentar hoje como oposição ao grupo que ajudou a eleger.
É essa disputa sobre o passado recente que começa a pesar sobre o discurso de David na corrida pelo Governo do Amazonas.