MANAUS (AM) — Mergulhadores do Corpo de Bombeiros encontraram o corpo de Letícia Correia Queiroz, de 6 anos, nesta quinta-feira (10), próximo ao local do deslizamento de um barranco que ocorreu na segunda-feira (7), no Porto de Terra Preta, em Manacapuru. A informação foi confirmada pelo governo do Amazonas, que acompanhou as operações de buscas.
Desde o acidente, o Corpo de Bombeiros, em colaboração com a Marinha do Brasil, estava empenhado nas buscas pelas vítimas. Na quarta-feira (9), foi localizado o corpo de Frank Lins Pinheiro de Sousa, de 37 anos, que também havia desaparecido durante o deslizamento. Ele foi encontrado no Rio Solimões pela Marinha, intensificando a dor das famílias afetadas.
Letícia morava com a família em um flutuante, que foi arrastado pelo deslizamento do barranco. De acordo com relatos familiares, no momento do acidente, ela estava com seus dois irmãos mais velhos, de 18 e 15 anos. Ambos conseguiram se salvar e foram encaminhados para atendimento médico no hospital da cidade, onde receberam cuidados por conta do impacto emocional e físico do incidente.
O deslizamento ocorreu em um contexto de severa seca no Amazonas, considerada a pior em 122 anos. Essa condição climática extrema pode ter sido um dos fatores que contribuíram para a instabilidade do solo e o consequente desabamento. Especialistas apontam que o solo seco pode ter perdido sua coesão, aumentando o risco de deslizamentos.
Relembre o caso:
O deslizamento de terra abriu uma cratera na orla de Manacapuru, na Região Metropolitana de Manaus, e afetou parte do Porto de Terra Preta. No acidente, duas pessoas ficaram desaparecidas e ao menos 10 feridas.
O Serviço Geológico Brasileiro (SGB) havia emitido um alerta em 2018, informando que o município apresentava 14 setores com risco, colocando 990 imóveis e aproximadamente 4.941 pessoas em potencial perigo.
Além disso, o Ministério Público do Estado (MPE) anunciou, na última terça-feira (8), que investigará as causas do deslizamento. A 3ª Promotoria de Justiça já iniciou a coleta de provas e orientou a adoção de medidas urgentes para garantir assistência adequada às vítimas e suas famílias. O órgão visa assegurar que as ações preventivas sejam revisadas para evitar futuros desastres semelhantes.
A Polícia Civil informou que está investigando o caso, com foco em determinar as responsabilidades e possíveis falhas na estrutura do porto e nas medidas de segurança implementadas na região.