Cultura

Encontro “Mais Futuro com a Cultura” convida público em geral e artistas, produtores para discutir políticas culturais no Amazonas

(MANAUS) – Público em geral, artistas, produtores culturais, músicos, técnicos, coletivos, grupos culturais, Pontos de Cultura e representantes de movimentos sociais têm encontro marcado neste domingo (20), em Manaus, para discutir os desafios e os caminhos para o futuro das políticas culturais no Amazonas. O “Encontro Mais Futuro com a Cultura” será realizado a partir das 17h, no Espaço Cultural Muiraquitã, reunindo diferentes segmentos da cadeia cultural em um espaço de diálogo, escuta e construção coletiva.

Organizado pela produtora cultural Michelle Andrews, candidata a deputada estadual pelo PT, o encontro pretende aproximar quem vive a realidade do setor da discussão sobre políticas públicas, colocando em pauta temas como financiamento, acesso a editais, descentralização de recursos, formação, circulação, infraestrutura e economia criativa.

Com 15 anos de atuação na cultura, Michelle afirma que a proposta surgiu da necessidade de ampliar a participação social na formulação das políticas públicas.

“O Encontro “Mais Futuro com a Cultura” nasce da necessidade de ouvir quem faz cultura de verdade, quem está nos territórios, nas periferias, nos municípios, nos coletivos e nos Pontos de Cultura. Eu estou na cultura há 15 anos e sei que nenhuma política cultural pode ser construída apenas dentro dos gabinetes. Ela precisa ser construída com participação social e com quem vive a realidade do setor”, afirma.

A programação contará com o debate “Panorama das Políticas Culturais no Amazonas”, seguido pelos “Diálogos com Quem Faz Cultura”, com participação de movimentos sociais, coletivos, Pontos de Cultura e grupos culturais. O encontro também terá espaço para manifestações dos participantes.

Entre os principais desafios que deverão entrar na discussão está a dificuldade de profissionais e iniciativas culturais conseguirem se manter de forma contínua, além da concentração de oportunidades na capital. Para Michelle, as políticas públicas precisam considerar as características territoriais do Amazonas.

“O Amazonas tem 62 municípios, uma dimensão territorial gigantesca e realidades muito diferentes. Precisamos pensar políticas que reconheçam o nosso território, os custos amazônicos, a dificuldade de deslocamento e circulação e a realidade de quem produz cultura nas periferias e no interior”, destaca.

A descentralização dos recursos também será um dos temas centrais. Michelle defende políticas de fomento que levem em consideração as diferentes realidades das calhas dos rios e os custos envolvidos na produção cultural fora de Manaus.

“Não podemos tratar um projeto realizado em Manaus da mesma maneira que um projeto realizado em um município onde tudo depende de barco, combustível, passagem e uma logística muito mais cara”, pontua.

Outro ponto que deverá ser debatido é o fortalecimento dos Pontos e Pontões de Cultura, além da formação de agentes culturais para elaboração e gestão de projetos, editais mais acessíveis e políticas permanentes de circulação. Michelle também propõe discutir o investimento próprio do Estado na cultura e a relação com recursos federais destinados à Política Nacional Cultura Viva.

O encontro terá ainda o debate “Cultura e Eleições 2026: Desafios para as Políticas Públicas”, que pretende abordar as demandas do setor e sua relação com a formulação de políticas públicas para os próximos anos.

Ao final, a programação será dedicada ao “Mais Futuro para a Cultura”, com a sistematização das propostas e demandas apresentadas pelos participantes. A intenção, segundo Michelle, é transformar a escuta em referências para novas propostas para o setor.

“Eu quero sair desse encontro com propostas construídas coletivamente. O dia 20 não é só para falar, é principalmente para ouvir. Quero escutar artistas, produtores, coletivos, Pontos de Cultura, grupos e movimentos sociais sobre o que está funcionando, o que precisa mudar e quais são as prioridades para os próximos anos”, afirma.

Para a produtora cultural, a participação de diferentes segmentos é fundamental para que as políticas públicas estejam conectadas às realidades dos territórios.

“Pensar um ‘Mais Futuro com a Cultura’ significa transformar essa escuta em política pública, fortalecer quem já faz cultura nos territórios e garantir que o acesso às oportunidades não dependa de onde a pessoa mora. Cultura é direito, trabalho, renda, identidade e desenvolvimento”, finaliza.

Wendell Vitti

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