Foto: Divulgação Ibama-AM
MANAUS – Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acendeu o alerta em Manaus. Em dezembro de 2025, o órgão ambiental realizou a Operação SAUIM para fiscalizar empreendimentos em áreas onde vive o Sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), primata símbolo da capital amazonense e classificado como criticamente em perigo de extinção.
A ação mirou diretamente práticas que ameaçam a sobrevivência da espécie — especialmente a perda de habitat causada por desmatamento ilegal e obras irregulares. Também foram combatidos outros fatores de risco comuns na cidade, como eletrocussões em redes elétricas, atropelamentos e ataques de animais domésticos.
Endêmico de Manaus e dos municípios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara, o sauim convive diariamente com a expansão urbana desordenada. O resultado é prático e imediato: seis notificações foram lavradas e uma obra foi suspensa, medidas que seguem sob acompanhamento do IBAMA.
“O Sauim-de-coleira é um símbolo vivo de Manaus e da nossa biodiversidade. Proteger essa espécie significa proteger o equilíbrio ecológico da cidade e garantir que futuras gerações ainda possam conviver com um dos primatas mais emblemáticos da Amazônia urbana”, afirmou o superintendente do IBAMA no Amazonas, Joel Araújo.
A Operação SAUIM foi estruturada em três frentes complementares:
Avaliação da regularidade de supressões vegetais identificadas em áreas sensíveis;
Fiscalização do cumprimento de condicionantes ambientais previstas no licenciamento de empreendimentos — consideradas estratégicas para a conservação da espécie;
Atuação junto à empresa de distribuição de energia, com requisição de informações sobre medidas para prevenir eletrocussões, após registros de acidentes e evidências observadas em animais atendidos no CETAS/IBAMA/AM.
A proteção do sauim não é apenas ambiental. Ela tem impacto social e urbano. A perda de áreas verdes afeta o microclima, aumenta ilhas de calor e compromete a qualidade de vida. Fiscalizações e suspensões de obras sinalizam que empreendimentos irregulares podem gerar prejuízos econômicos, atrasos e sanções — além de danos ambientais difíceis de reverter.
Não se trata de “travar o desenvolvimento”. A operação reforça que licenciamento e condicionantes existem para evitar riscos e garantir crescimento urbano responsável. Obras regulares, com medidas de mitigação, não são alvo; irregularidades, sim.
A Operação SAUIM está alinhada ao Plano de Ação Nacional para a Conservação da Espécie (PAN Sauim-de-Coleira) e é considerada urgente para reduzir o risco de extinção do primata. Para a população, o recado é claro: a proteção do símbolo de Manaus depende de fiscalização contínua e do cumprimento da lei.
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