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Mundo

Mais de 1,7 mil jornalistas foram mortos em 20 anos em todo o mundo

Atรฉ 1ยบ de dezembro, 31 jornalistas foram a รณbito em zonas de conflito, especialmente na Palestina โ€“ onde morreram 16 profissionais que cobriam o conflito

jornalistas
(Foto: Fernando Frazรฃo/ABr)

BRASรLIA (DF) – Nos รบltimos 20 anos, mais de 1,7 mil jornalistas foram assassinados no planeta trabalhando ou em razรฃo de suas funรงรตes. Em 2024, 54 jornalistas foram mortos โ€“ 52 homens e duas mulheres. Os dados sรฃo da organizaรงรฃo nรฃo governamental (ONG) Repรณrteres sem Fronteiras (RSF), fundada em 1985 na Franรงa, e foram divulgados nessa sexta-feira (13).

โ€œร‰ o ano com o maior nรบmero de casos de jornalistas mortos no contexto de conflitos armadosโ€, informa o jornalista Artur Romeu, diretor do escritรณrio da RSF para a Amรฉrica Latina, em entrevista ร  Agรชncia Brasil.

Atรฉ 1ยบ de dezembro, 31 jornalistas foram a รณbito em zonas de conflito, especialmente na Palestina โ€“ onde morreram 16 profissionais que cobriam o conflito entre Israel e o Hamas. As forรงas armadas israelenses sรฃo consideradas pela ONG como a โ€œprincipal agressora da liberdade de imprensa.โ€

โ€œA gente nรฃo estรก falando de vรญtimas colateraisโ€, destaca o diretor. Segundo ele, muitos profissionais da imprensa sofreram ataques diretos, pois passaram a ser vistos como potenciais refรฉns para que grupos ou paรญses em conflito atinjam objetivos especรญficos, ou ao menos desencorajem a cobertura jornalรญstica.

A RSF anotou que, alรฉm dos assassinatos de jornalistas na Palestina, foram mortos profissionais da mรญdia em diferentes partes do globo: Paquistรฃo (sete), Bangladesh (cinco), Mรฉxico (cinco), Sudรฃo (quatro), Birmรขnia (trรชs), Colรดmbia (dois), Lรญbano (dois), Ucrรขnia (dois), Chade (um), Indonรฉsia (um), Iraque (um) e Rรบssia (um).

Refรฉns, desaparecidos e sequestrados

O balanรงo de 2024ย da Repรณrteres sem Fronteiras ainda contabiliza que 550 jornalistas estรฃo ou estiveram presos neste ano por causa do ofรญcio โ€“ 473 homens e 77 mulheres, crescimento de 7,2% dos casos em relaรงรฃo a 2023 (513 profissionais).

O paรญs que mais tem jornalistas presos รฉ a China (124), seguida da Birmรขnia (61) eย Israel (41). A maioria dos repรณrteres presos (462) รฉ do mesmo paรญs que estรฃo encarcerados. Quase 300 jornalistas estรฃo presos sem julgamento, de forma preventiva.

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Hรก 55 jornalistas feitos refรฉm (52 homens e trรชs mulheres). Quase a totalidade (53) รฉ formada por cidadรฃos do paรญs onde foram sequestrados. Trinta e oito casos foram registrados na Sรญria, e o principal agente sequestrador do mundo รฉ o Estado Islรขmico (25).

Noventa e cinco jornalistas estavam desaparecidos em 1ยบ de dezembro โ€“ 88 homens e sete mulheres. A maioria desses profissionais desapareceu em seu prรณprio paรญs. O balanรงo do RSF mostra que 39 desaparecimentos aconteceram nas Amรฉricas, especialmente no Mรฉxico (30 casos).

Regulaรงรฃo das redes sociais

O Brasil nรฃo รฉ citado no balanรงo da RSF. โ€œMas isso, de maneira nenhuma, nos faz considerar que o Brasil รฉ um paรญs seguro para o exercรญcio da imprensaโ€, pondera Artur Romeu, que cita, por exemplo, episรณdios de intimidaรงรตes e ameaรงas em ambiente digital. No perรญodo de campanha eleitoral para prefeitos e vereadores, foram identificadas mais de 37 mil postagens ofensivas contra jornalistas nas redes sociais.

A ONG Repรณrteres sem Fronteiras โ€œse posiciona de maneira favorรกvel a uma regulamentaรงรฃo das plataformas das redes sociaisโ€, pontua o diretor da ONG para a Amรฉrica Latina. โ€œA regulamentaรงรฃo, na prรกtica, se traduz por um pedido de maior responsabilizaรงรฃo dessas grandes empresas em relaรงรฃo ao conteรบdo que circula pelas suas interfaces.โ€

Alรฉm da necessidade de regulamentaรงรฃo das redes sociais, preocupa a RSF a volta de Donald Trump ร  Presidรชncia dos Estados Unidos e a situaรงรฃo da Sรญria apรณs a queda de Bashar al-Assad.

โ€œNa Sรญria hรก muitas incรณgnitas. ร‰ muito difรญcil prever o que vai acontecer. O que a gente tem de mais previsรญvel, de certa forma, รฉ um contexto no Oriente Mรฉdio profundamente marcado por instabilidade, com crescimento de conflitos armados, e esse aumento de conflitos normalmente se traduz em um cenรกrio mais complexo para a cobertura jornalรญstica, em muitos casos com mais jornalistas mortosโ€, avalia Artur Romeu.

Sobre Donald Trump, o diretor nรฃo tem โ€œa menor dรบvidaโ€ que quando o republicano voltar ร  Casa Branca โ€œvai manter o discurso hostil ร  imprensa, apostando numa retรณrica que identificam jornalistas como inimigos da sociedade e do povo americano”.ย “Nada do que a gente viu durante a campanha eleitoral faz supor que ele vai pegar mais leveโ€, complementa.

Para Artur Romeu, a beligerรขncia de Trump contra a imprensa โ€œfaz parte de uma estratรฉgia polรญtica de manter essas bases aquecidas. Ele nรฃo รฉ รบnico [nessa atitude]. De maneira nenhuma รฉ um perfil isolado. A gente vรช esse mesmo tipo de atuaรงรฃo em vรกrias partes do mundoโ€.

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