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Política

Michelle Andrews, candidata do Lula desponta entre favoritas da esquerda à ALEAM

Produtora cultural e ativista aposta em uma trajetória construída desde 2018, com atuação nos territórios, experiência no poder público e uma rede formada por artistas, mulheres, juventudes, movimento negro e comunidades periféricas

(Foto: Divulgação)

(MANAUS) – Na reta final da campanha eleitoral, Michelle Andrews chega à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) entre os nomes apontados por sua campanha como favoritos à conquista de uma vaga. Candidata pelo PT, ela tenta transformar em votos uma trajetória construída muito antes do atual processo eleitoral, marcada pela atuação na cultura, defesa dos direitos humanos, igualdade racial, participação popular e articulação de redes sociais e comunitárias.

A candidatura chega ao momento decisivo sustentada por uma rede que, segundo Michelle, reúne milhares de pessoas mobilizadas ao longo dos anos, entre artistas, produtores culturais, mulheres, juventudes, movimento negro, trabalhadores da cultura, coletivos periféricos, Pontos de Cultura e lideranças comunitárias. “Minha candidatura não está sendo construída de última hora. Ela é resultado de uma caminhada de anos e chega à eleição com uma base social que já existia antes da campanha”, afirma.

Essa caminhada começou a ganhar projeção eleitoral em 2018, quando Michelle disputou uma vaga de deputada federal. Em 2020, concorreu à Câmara Municipal de Manaus em uma candidatura coletiva. Dois anos depois, disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa e alcançou 11.472 votos, ampliando sua presença para diferentes municípios do Amazonas. Em 2024, voltou a disputar uma vaga de vereadora de Manaus pelo PCdoB, com o projeto Manaus em Movimento.

Mais do que números eleitorais, Michelle apresenta como patrimônio político uma atuação construída nos territórios. Na cultura, participou da criação e consolidação de iniciativas que aproximaram produção cultural, formação e organização comunitária. No Coletivo Difusão, o Festival Até o Tucupi alcançou, segundo dados apresentados pela candidata, aproximadamente 57 mil pessoas, capacitou 2,5 mil participantes e realizou cerca de 50 shows e interferências gratuitas ao longo de 15 anos.

A experiência também deu origem à Casa Coletiva, espaço cultural e comunitário na zona Norte de Manaus voltado à formação, audiovisual, comunicação, literatura, cultura negra, direitos humanos e articulação de redes. O projeto transformou a experiência acumulada por Michelle em uma atuação permanente junto às comunidades. Atualmente, a rede reúne, segundo ela, dezenas de coletivos e centenas de lideranças e trabalhadores diretamente articulados.

Outro capítulo da trajetória foi a atuação institucional. Michelle se tornou a primeira chefe do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Amazonas, experiência que aproximou políticas culturais federais dos artistas, produtores, coletivos e trabalhadores da cultura no Estado. A partir dessa vivência, passou a defender com ainda mais ênfase a descentralização dos recursos e o fortalecimento da participação dos municípios e das periferias nas políticas públicas. “O Amazonas não termina em Manaus. Precisamos fazer os recursos chegarem aos municípios, às periferias e às comunidades”, destaca.

Hoje, entre as principais demandas que Michelle afirma ouvir nos territórios estão trabalho e renda, acesso às políticas públicas e representação política. A candidatura também coloca no centro do debate o combate ao racismo, os direitos das mulheres, oportunidades para a juventude, economia criativa, cultura e ampliação da presença de mulheres negras nos espaços de decisão.

Para Michelle, o crescimento de seu nome na disputa estadual está relacionado à combinação entre uma trajetória social construída ao longo dos anos e uma rede política que permaneceu ativa fora dos períodos eleitorais. A estratégia agora é ampliar essa mobilização e transformar a experiência acumulada em representação parlamentar. “Eu já tinha disputado uma eleição estadual e alcançado 11.472 votos em 2022. Agora retorno para a disputa com uma experiência maior, uma rede política mais ampla e uma atuação que continuou acontecendo nos territórios”, afirma.

Na reta final, a candidata busca apresentar sua história como parte de um projeto político que pretende levar para a Assembleia a experiência acumulada entre cultura, movimentos sociais, comunidades periféricas e poder público. A aposta é fazer da rede construída desde 2018 uma força capaz de ampliar sua votação e consolidar sua presença na disputa por uma das cadeiras do Legislativo estadual.

Jirau News

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