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Amazonas

Moradores de Iranduba cobram gestores por falta de água e rede de esgoto

(Foto: Arquivo Pessoal)

MANAUS (AM) – Mais de cem famílias convivem com a falta de água potável na comunidade Águas Claras, no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. Segundo os moradores, a comunidade chega a ficar sem água por mais de três dias seguidos sem obter qualquer apoio da Prefeitura de Iranduba ou da empresa responsável, Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Iranduba (Saae).

Durante a noite, moradores que chegam do trabalho precisam ir até o local onde os canos de água são ligados para fazer a água chegar até as casas. Segundo um dos moradores que enviaram vídeos para o JIRAU NEWS, o problema é que a água não tem força suficiente para chegar na comunidade.

“Estamos há três dias sem água aqui, feriado e domingo, o pessoal não liga água para nós. Só veio dar água aqui ontem a noite, porque o pessoal liga pra cá, também, ai os outros vão lá e desligam e não ligam de volta”, disse o morador identificado apenas como Damásio.

Em conversa com outro morador, o homem fala que a força da água não é suficiente para chegar na comunidade. “Dá entrada de ar e o pessoal também mexe lá e não tem um responsável certo para ligar e desligar”, disse Damásio. Segundo os moradores, os funcionários da Saae ficam no local onde é ligada a bomba até as 17h.

Outro morador mostrou no vídeo desde o local onde a bomba de água é ligada. Ele conta que mesmo ligando, não significa que a água chega até as casas. Era tarde da noite quando o morador fez o registro. “Você vai vendo, até o meio da rua 2 dá água, prá cá não dá água”, disse o morador.

Nesta sexta-feira (28), a moradora Luzia Ribeiro enviou vídeos que mostra que o problema vai além da falta de água. Nas imagens é possível ver os canos que deveriam levar água limpa para as casas, sem instalação adequada e passando pela água de esgoto que também não tem tubulação.

“Aqui é a onde a água do povo passa. Misericórdia, disse a moradora ao filmar os canos de água potável dentro da lama. “É aqui nessa água poluída, podre que vai para dentro da Águas Claras, misericórdia é a voz que não quer calar”, afirmou a moradora.

Tubulação de água na comunidade Águas Claras (Foto: Arquivo Pessoal)
Irregularidade histórica

Não é de hoje que a SAAE apresenta irregularidades. Na terça-feira (27), os conselheiros do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) reprovaram a prestação de contas anual do exercício de 2022 do Saae e determinaram que o gestor responsável, Kaio Icaro Ferreira Vieira, devolva aos cofres públicos o total de R$ 216,1 mil, entre multas e alcance.

A decisão unânime levou em conta a identificação de R$ 71.493,46 inscritos em saldo de conta bancária sem documentos que comprovem a correta aplicação dos recursos, além da inexistência de dez notas de empenho que somadas totalizam R$ 130.983,00 gastos com execução de serviços sem a comprovação da correta aplicação dos recursos.

Além de devolver os dois valores aos cofres públicos, o relator do processo, conselheiro Fabian Barbosa, determinou a aplicação de R$ 13.654,39 ao gestor por outras 19 irregularidades consideradas não resolvidas durante a análise das contas. Kaio Icaro Ferreira Vieira terá 30 dias para realizar o pagamento dos valores devidos ou para recorrer da decisão do Tribunal Pleno.

Respostas

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Iranduba e o atual gestor da Saae, Paulo Denilson, para questionar quando serão providenciadas ações para evitar a falta de água na comunidade Águas Claras e se, de forma emergencial, os órgãos poderiam enviar carro pipa para atender os moradores, no entanto, não houve resposta tanto da prefeitura.

O gestor do Saae, disse ao JIRAU NEWS que a comunidade é uma “invasão” e que a água foi canalizada “clandestinamente”, e que “ao longo do curso, a água vai se perdendo. A dificuldade aumenta a medida que eles vão aumentando a quantidade de casas”, disse.

Sobre abastecer as casas com caminhão pipa, o gestor do Saae afirmou que é “impossível”, pois a comunidade “não tem rua”. Paulo Denilson disse, ainda, que independente disso, as pessoas não podem ficar abandonadas e o vazamento de água também prejudica outras pessoas. “Vamos tomar pé da situação e ver o que a gente pode fazer”, disse.

Matéria atualizada às 15h9 para acrescentar a resposta do gestor da Saae. 

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