Brasil – A reconfiguração do xadrez geopolítico e energético sul-americano ganhou um novo capítulo decisivo nesta segunda-feira (31). A petrolífera North American Blue Energy Partners (NABEP), que conta com o forte apoio dos Estados Unidos, assumirá o controle de diversos campos de exploração na Venezuela, retirando o espaço de cinco empresas chinesas e de uma operadora russa que até então operavam nas áreas. A manobra faz parte de um amplo acordo bilateral anunciado na última semana pelo presidente Donald Trump, desenhado para remodelar a indústria petrolífera local e alinhar as vastas reservas venezuelanas aos interesses econômicos de Washington.
Com essa ofensiva, os Estados Unidos garantem uma posição estratégica sobre aproximadamente 64 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo. O objetivo do governo norte-americano é duplo: deslocar a influência sino-russa que há anos domina o setor energético do país e redirecionar o fluxo de exportações. Segundo fontes do governo dos EUA, a medida visa reabrir a Venezuela como uma fornecedora direta para o mercado americano, absorvendo a produção que, sob o modelo promovido pelo ditador Nicolás Maduro, era massivamente escoada para a China.
Ao todo, a NABEP passará a controlar 17 projetos no país sul-americano, sendo 14 deles concessões recentes. A companhia, que pertencia ao magnata americano Harry Sargeant, é atualmente controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt. Entre as empresas asiáticas desbancadas pelo novo acordo estão a Sinopec, a China National Petroleum Corp e a China Concord Resources — esta última alvo de sanções dos EUA em 2019 por atividades ligadas ao Irã. A operação americana também retira o controle de projetos que eram administrados por afiliados de Alex Saab, antigo aliado de Maduro, e por um sobrinho da esposa do ditador, Cilia Flores.
Para além do impacto econômico, a movimentação exige uma base de sustentação legal e institucional. Autoridades americanas confirmaram que estão em andamento conversas entre autoridades interinas da Venezuela e representantes da Assembleia Nacional de 2015 — reconhecida pelo governo Trump como o último órgão legislativo legitimamente eleito do país. O diálogo busca restaurar um mínimo de ordem constitucional que valide a transição política e dê respaldo jurídico às decisões econômicas envolvendo a revitalização e a nova partilha da indústria petrolífera venezuelana.