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Política

PT aposta na força de Janja para atrair eleitoras, mas candidaturas femininas do partido esbarram na falta de paridade

Embora a legenda tenha atingido seu maior índice histórico de mulheres na disputa (36,8%), os homens ainda dominam a chapa petista nas eleições gerais de 2026.

PT aposta na força de Janja para atrair eleitoras, mas candidaturas femininas do partido esbarram na falta de paridade
PT aposta na força de Janja para atrair eleitoras, mas candidaturas femininas do partido esbarram na falta de paridade
Brasil – Com um contingente de 83,9 milhões de eleitoras aptas a votar no Brasil — superando os 74,8 milhões de eleitores homens —, o voto feminino consolidou-se como o grande fiel da balança nas eleições de 2026. Ciente do peso demográfico e de sua importância vital para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) colocou a mobilização das mulheres no centro de sua estratégia, utilizando a figura da primeira-dama Janja da Silva como principal chamariz.

A ofensiva retórica e o protagonismo de Janja

Nos últimos meses, a legenda intensificou suas ações para dialogar com esse eleitorado, incluindo o lançamento de um comitê específico de mulheres. Nesse cenário, Janja assumiu um papel de destaque para tentar suprir as lacunas do próprio partido.
Durante a Convenção Nacional do PT, no início de agosto, a primeira-dama precisou ser chamada ao microfone de improviso por Lula, que reconheceu publicamente a falha da legenda em não incluir mulheres na lista de discursos do evento. Dias depois, no lançamento oficial da campanha em São Bernardo do Campo (SP), Janja discursou sobre a importância da atuação feminina nos bastidores políticos e prestou homenagem a Marisa Letícia — falecida em 2017 —, recordando que a ex-esposa do presidente foi a responsável por bordar a primeira bandeira do partido.
O ativismo da primeira-dama também tem mirado o sistema político geral. Em entrevistas recentes, ela defendeu abertamente que as vagas na Câmara dos Deputados e no Senado sejam divididas em 50% para cada gênero, criticando a insuficiência do atual modelo de cotas eleitorais.

A barreira dos números: discurso x realidade

Apesar do forte apelo voltado ao público feminino e da exigência legal de destinar ao menos 30% dos fundos de campanha e do tempo de TV a elas, a fotografia das candidaturas petistas em 2026 mostra que a paridade de gênero ainda é uma meta distante.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que as mulheres continuam sendo minoria na legenda. Dos 1.097 nomes lançados pelo PT neste ciclo eleitoral, 693 são homens e 404 são mulheres. Na prática, a presença feminina segue como exceção, configurando uma proporção de aproximadamente duas candidatas para cada três homens na disputa.

Recorde proporcional em meio a um encolhimento histórico

Ainda que o desequilíbrio persista, a parcela de 36,8% de candidaturas femininas representa o maior patamar já alcançado pelo PT desde 1994, quando esse índice era de apenas 12,8%. O percentual coloca o partido ligeiramente acima do atual recorde da média nacional, que é de 34,9%.
Curiosamente, esse avanço proporcional ocorre no exato momento em que o PT registra uma forte retração no tamanho de sua chapa. O total de 1.097 postulantes em 2026 é o menor volume registrado pelo partido em mais de três décadas, representando uma queda de 32,7% em comparação ao seu auge em 2002, quando a legenda lançou 1.630 candidatos.
Jirau News

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