Manaus – Este domingo (12) foi marcado por batidas, passos e memória viva no Centro de Convivência da Família Teonízia Lobo, no bairro Mutirão, zona Norte de Manaus. O evento “Raízes do Hip Hop Manaus” reuniu artistas, coletivos e moradores em uma programação que celebrou os elementos clássicos da cultura hip hop: DJ, MC, grafite e breaking.
Mais do que um encontro cultural, a iniciativa reforçou o papel histórico do break na construção do movimento na cidade. Para Ramon Níger DI, a proposta vai além da estética:
“O evento ele se trata não só da cultura hip hop em si, mas também fortemente a respeito do break, o break raiz, né? Esse movimento é onde teve origem aqui em Manaus.”

A programação incluiu rodas de conversa, palestras, homenagens, apresentações de dança, batalhas de breaking, grafite ao vivo e pocket shows — reunindo diferentes gerações em torno de uma mesma identidade cultural.
o evento também teve um significado simbólico importante, a reocupação de espaços públicos. “É satisfatório ter eventos dessa magnitude até mesmo para trazer as raízes da cultura hip hop. É sempre bom ocupar espaço aqui no bairro, até porque o nosso centro de convivência precisa do envolvimento da comunidade . Eventos assim trazem a comunidade para perto.”
A memória viva dos pioneiros
Entre os destaques do encontro esteve Jorge Bronzeado, uma das figuras históricas do break em Manaus. Aos 56 anos, ele segue ativo desde 1985, integrando o grupo Irmãos Cobras — um dos primeiros da cidade.
“A gente está realizando esse coletivo para reunir os b-boys das antigas, marcar a época que começou esse movimento aqui em Manaus. Hoje estamos um pouco esquecidos, então é uma homenagem aos verdadeiros que construíram a cena do hip hop.”

Jorge também ressaltou a transformação dos integrantes ao longo das décadas:
“Antigamente quem dançava era mais b-boy. Hoje muitos se tornaram MC, grafiteiros, DJs, produtores. O movimento cresceu e se diversificou.”
Hip hop como ponte entre gerações
A diversidade etária foi uma das marcas do evento. Segundo Jorge Bronzeado, o hip hop rompe limites de idade:
“A média aqui vai de 5 a 70 anos. O hip hop é igual a capoeira, não tem idade”, disse.
Essa conexão entre gerações também foi evidenciada por Jailson Marinho, conhecido como “Irmão”, que há décadas preserva a memória do movimento na cidade.
“Eu resgato um pouco da história do hip hop desde 97. Coleciono arte de grafite, DJ, b-boy e rap. É uma paixão que eu tenho, faço por amor e pretendo levar até o último suspiro”, concluiu.

Estudante de Ciências Biológicas, Jailson reforça que o hip hop também é um espaço de afeto, identidade e pertencimento.
O “Raízes do Hip Hop Manaus” mostrou que, mesmo após décadas, o movimento segue pulsando com força na cidade — agora mais diverso, articulado e consciente de sua própria história.
Ao reunir pioneiros e novos talentos, o evento não apenas celebrou o passado, mas também reafirmou o futuro do hip hop manauara como ferramenta de resistência, educação e transformação social.
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