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Economia

Real completa 30 anos com desafio de manter poder de compra

(Foto: Tรขnia Rego/Agรชncia Brasil)

BRASรLIA (DF) – A moeda brasileira, Real, que enfrenta o desafio da manutenรงรฃo do poder de compra, completa 30 anos nesta segunda-feira (1ยบ). Cada vez mais a mesma quantia compra menos. A reduรงรฃo do carrinho de compras รฉ sintoma da inflaรงรฃo acumulada nos รบltimos anos.

De julho de 1994, mรชs da criaรงรฃo do real, a maio de 2024, a inflaรงรฃo oficial pelo รndice Nacional de Preรงos ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 708,01%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatรญstica (IBGE). Isso significa que R$ 1 na criaรงรฃo do real valem R$ 8,08 atualmente. Ou que รฉ preciso gastar R$ 100 hoje para comprar o mesmo que R$ 12,38 compravam hรก trรชs dรฉcadas.

No aniversรกrio de 30 anos, o real enfrenta o desafio de manter o poder de compra, num cenรกrio de inflaรงรฃo global crescente. โ€œA inflaรงรฃo alta no pรณs-pandemia [de covid19] รฉ perfeitamente explicรกvel e abrange todo o planeta. Tivemos problemas sรฉrios, de rompimento de cadeias produtivas, uma mudanรงa geopolรญtica mundial, com guerras regionais, e mudanรงas climรกticas que pressionam principalmente a oferta de alimentosโ€, explica a professora de economia da Fundaรงรฃo Getulio Vargas (FGV) Virene Matesco.

Economista-chefe da Way Investimentos e professor do Ibmec, Alexandre Espรญrito Santo diz que a inflaรงรฃo pรณs-pandemia รฉ complexa, que desafia os Bancos Centrais em todo o mundo. โ€œTivemos um choque de oferta, com a quebra de cadeias produtivas no mundo inteiro que ainda estรฃo se recompondo. Alรฉm disso, os bancos centrais injetaram muito dinheiro na economia global, dinheiro que ainda estรก circulando. A inflaรงรฃo no pรณs-pandemia tem vรกrias causas e ainda vai durar muito tempoโ€, diz.

Salรกrios

Outra maneira de interpretar a inflaรงรฃo acumulada de 708,01% seria dizer que o real perdeu 87,62% do valor em 30 anos. Isso, no entanto, nรฃo quer dizer que a populaรงรฃo tenha ficado mais pobre na mesma proporรงรฃo. Isso porque o poder de compra รฉ definido nรฃo apenas pelo nรญvel de preรงos, mas tambรฉm pela elevaรงรฃo dos salรกrios.

โ€œA inflaรงรฃo depende de muitos fatores. No mรฉdio e no longo prazo, a economia se adapta ร s variaรงรตes, inclusive ร  alta recente do cรขmbio que estamos experimentando. Existe a reposiรงรฃo dos salรกrios e a interaรงรฃo do preรงo de um insumo com o restante da cadeia produtivaโ€, diz o economista Leandro Horie, do Departamento Intersindical de Estatรญstica e Estudos Socioeconรดmicos (Dieese).

Na prรกtica, a reposiรงรฃo do poder de compra รฉ influenciada pelo crescimento econรดmico. Em momentos de expansรฃo da economia e de queda do desemprego, os trabalhadores tรชm mais poder para negociar reajustes salariais. Segundo o Dieese, 77% das negociaรงรตes salariais resultaram em aumento real (acima da inflaรงรฃo) em 2023. Atรฉ maio deste ano, o percentual subiu para 85,2%. Com os reajustes acima da inflaรงรฃo, os preรงos se estabelecem num nรญvel mais alto, sem a possibilidade de retornarem aos nรญveis anteriores.

Novos instrumentos

Em relaรงรฃo ร  inflaรงรฃo no pรณs-pandemia, o economista do Dieese concorda com a complexidade do problema e diz que os instrumentos atuais de polรญtica monetรกria, como juros altos, tรชm sido insuficientes para segurar o aumento de preรงos. Isso porque a inflaรงรฃo nรฃo decorre apenas de excesso de demanda, mas de choques externos sobre a economia, como tragรฉdias climรกticas e tensรตes geopolรญticas.

โ€œNo regime atual de metas de inflaรงรฃo, o Banco Central atua como se a inflaรงรฃo fosse meramente de demanda e elevando juros para reprimir a demanda interna. Sรณ que a inflaรงรฃo, principalmente nos tempos atuais, รฉ de uma natureza de choque de oferta, que a gente chama. A grande questรฃo que tem de ser colocada, em nรญvel global, รฉ que outras formas os governos podem usar para segurar os preรงos, atรฉ porque a inflaรงรฃo envolve centenas de itensโ€, diz Horie.

Perspectivas

Em 2024, a inflaรงรฃo comeรงou o ano em desaceleraรงรฃo. O IPCA, que acumulava 4,51% nos 12 meses terminados em janeiro, caiu para 3,69% nos 12 meses terminados em abril. O รญndice, no entanto, acelerou para 3,93% nos 12 meses terminados em maio, por causa do impacto das enchentes no Rio Grande do Sul e da seca na regiรฃo central do paรญs. Para os prรณximos meses, a previsรฃo รฉ de novas altas, com alguns preรงos influenciados pela recente alta do dรณlar.

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Com informaรงรตes da Agรชncia Brasil

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