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Amazonas

Reconstruir a BR-319 é abrir caixa de pandora, afirma ambientalista

Para o engenheiro florestal e ambientalista Felipe Góes, a intenção é boa, mas será difícil controlar os crimes ambientais depois que a obra estiver em curso.

(Foto: Orlando Júnior/FAS)

MANAUS (AM) – Em viagem ao Amazonas, o presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (10), que pretende reconstruir trecho da BR-319, mas que é preciso impedir o desmatamento e a grilagem de terra no entono da rodovia, único meio terrestre que liga os estados de Roraima e Amazonas com o restante do País.

Lula defendeu a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, alvo da oposição e dos próprios aliados do presidente, ao afirmarem por diversas vezes que a ministra. Em maio deste ano, o senador Omar Aziz (PSD-AM) criticou a ministra por falta de interlocução com o Congresso e a acusou de se preocupar mais com o cenário internacional do que em elaborar políticas ambientais para o Brasil.

Ante de chegar ao município de Manaquiri, na região metropolitana de Manaus, Lula viu do alto o resultado da devastação causada pelas queimadas, a seca dos rios na amazônia.

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Na presença de Aziz, Lula disse que “é preciso parar com essa história de é achar que é a companheira Marina, que não quer construir a BR-19 Essa rodovia foi construída nos anos 70, ela foi abandonada por desleixo, não sei de quem. Recentemente, ela foi construída, e hoje a rodovia é assim. Ela tem uma parte pra cá que funciona, uma parte pra cá que funciona, e no meio são 400 quilômetros ficou inutilizada. E eu quero dizer para o governador, quero dizer para o senador Omar Aziz e [Eduardo Braga]. Eu já consertei muito com eles, quando eles eram governadores do Estado”, disse Lula.

O presidente afirmou que o tema da BR-319 deve ser discutido entre o governo federal e o Estado do Amazonas para evitar crimes ambientais.

“O Estado e a Federação, nós vamos ter que garantir de que nós não vamos permitir o desmatamento de grilagem de terra próximo da rodovia. Como é habitual acontecer nesse país. A gente faz uma rodovia, daqui a pouco está destruído do lado direito, o que nós queremos, tem gente queimando, tem gente queimando, tem gente matando, tem gente queimando gado, onde não é necessário ter gado”, afirmou Lula, que está em Manaus para anunciar medidas de combate à seca extrema e às queimadas no Amazonas.

Caixa de pandora

Para o engenheiro florestal e ambientalista Felipe Góes, a intenção é boa, mas será difícil controlar os crimes ambientais depois que a obra estiver em curso. Segundo Góes é “como abrir uma caixa de pandora”, fazendo referência à mitologia que em um recipiente haveria todos os males do mundo.

“Sou contra por saber que, inevitavelmente, a obra vai se tornar um vetor para o desmatamento e a grilagem de terras públicas. Essas atividades criminosas são bem difíceis de coibir sem presença constante e massiva do Estado na forma de fiscalização e repressão, o que não acontece nessa região. Ao mesmo tempo, eu entendo a necessidade logística da cidade de Manaus e de outras cidades do Amazonas de ter essa conexão terrestre funcionando em momentos de seca severa como estamos passando”, ponderou.

Imagem do sistema de monitoramento Selva mostra uma linha de fogo no entorno da BR-319.

Conforme o ambientalista, essa é uma situação complicada, que precisa ser enfrentada com cuidado e “rigor técnico”, sem o “açodamento” da situação extrema atual.

“Da parte ambiental, precisamos de estudos rigorosos sobre os impactos da obra e como mitigá-los. O governo federal também precisa equipar e valorizar os técnicos do IBAMA e do ICMBio, que estão de greve reivindicando melhores condições de trabalho e salário, pois sem esses servidores não tem a menor chance de acontecer uma fiscalização efetiva”, disse.

O ambientalista considera boa uma das ideias da ministra Marina Silva de transformar as áreas do entorno da rodovia em unidades de conservação, como forma de diminuir o impacto do desmatamento e grilagem. Porém, o ambientalista acha difícil o Congresso atual aprovar novas UCs ou Terras Indígenas.

Queimadas

Este ano, o Amazonas já contabiliza a maior quantidade de focos de incêndio dos últimos seis anos, segundo o Instituto Nacional de pesquisas espaciais (Inpe). Em 2018, foram 7.361 focos de incêndio, já neste ano, o Inpe já contabilizou 17.330 focos.

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