Brasil – O candidato à presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, utilizou o espaço da sabatina do Jornal Nacional na última quarta-feira (26) para apresentar as diretrizes centrais de seu plano de governo. Em entrevista conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, o presidenciável expôs uma plataforma focada em endurecimento penal, reestruturação geopolítica e cortes drásticos no orçamento público, além de delinear como pretende conduzir a relação do Executivo com os demais poderes.
No campo da geopolítica e defesa, Santos defendeu que o Brasil inicie o desenvolvimento de um arsenal nuclear. Segundo o candidato, possuir poder de dissuasão e explorar as vastas reservas nacionais de terras raras forçaria potências como os Estados Unidos a estabelecerem parcerias mais equilibradas, abrindo caminho para que o país conquiste um assento no Conselho de Segurança da ONU. Para viabilizar a proposta, ele admitiu que o Brasil precisaria se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares no futuro.
A segurança pública foi outro tema central da entrevista. O candidato prometeu retomar o controle de territórios dominados pelo crime organizado no prazo de um ano. Para isso, propõe a adoção do “direito penal do inimigo”, com a construção de dez megapresídios ao custo de R$ 6 bilhões e a alteração das leis penais para submeter membros de facções a um regime diferenciado. Questionado sobre os paralelos de seu plano com as políticas do presidente de El Salvador, Nayib Bukele — frequentemente acusado de violações de direitos humanos —, Santos negou que promoverá prisões arbitrárias, justificando o uso da força letal estatal como resposta estrita a agressores armados.
A relação com as instituições democráticas também gerou debates. O presidenciável reiterou que, caso eleito, se recusará a cumprir decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgar ilegais, baseando-se em pareceres da Advocacia Geral da União (AGU). No entanto, fez questão de se distanciar de declarações recentes de um de seus formuladores de campanha, Orlando Lima, que sugeriu a retirada do direito ao voto de cidadãos que recebem auxílio estatal, classificando a ideia como uma opinião isolada e reafirmando seu compromisso com o Estado Democrático de Direito.
Na esfera econômica e social, a aposta de Renan Santos é um ajuste fiscal profundo, com a meta de economizar R$ 1,1 trilhão em cinco anos. As medidas impopulares incluem a desindexação de benefícios e o fim das vinculações constitucionais de gastos para saúde e educação. A economia gerada, segundo ele, seria direcionada à infraestrutura e a um audacioso “Plano Nacional de Desfavelização”, focado em retirar populações de áreas de risco. Em relação a políticas para mulheres e segurança pública local, o candidato propõe a “Lei de Responsabilidade Gerencial”, que condicionará o repasse de verbas federais ao cumprimento de metas por prefeitos e governadores, como a redução da violência de gênero e a melhoria dos índices educacionais.