Brasil – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 começou a tramitar oficialmente no Senado Federal. Na noite da última quarta-feira (19), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), despachou o texto, dando o pontapé inicial para a análise da medida que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso remunerado para os trabalhadores.
A movimentação ocorre sob forte pressão do governo federal, que enxerga na pauta trabalhista um forte apelo popular nesta reta final de campanha. A base governista articula intensamente nos bastidores para emplacar um parlamentar aliado como relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O objetivo da manobra é imprimir um rito acelerado ao processo, com o Planalto trabalhando com a expectativa de levar o texto à votação final no plenário do Senado entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, pouco antes do primeiro turno das eleições.
Apesar da pressa do Executivo, o caminho para a promulgação exige ampla costura política. Como já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, a PEC precisa agora do apoio de dois terços dos senadores — o equivalente a 49 dos 81 votos — em dois turnos de votação. Além dos obstáculos regimentais, a proposta enfrenta forte resistência externa: entidades e representantes do setor empresarial cobram um freio na tramitação, exigindo mais tempo para debater os impactos financeiros e operacionais que a transição de jornada trará aos negócios e à economia do país.