BRASÍLIA – A viagem internacional do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Oriente Médio custará ao menos R$ 40 mil, só em diárias, segundo levantamento de custo junto ao Senado e coincide com a consolidação da pré-candidatura à Presidência da República.
A agenda prevê 12 dias de viagem: dois dias em Israel (26 e 27 de janeiro), seis dias no Bahrein (28 de janeiro a 2 de fevereiro) e quatro dias nos Emirados Árabes Unidos (3 a 6 de fevereiro). Com a diária internacional de US$ 656,46, valor atualizado pelo Senado neste ano, o custo total chega a US$ 7.877,52, o que equivale a aproximadamente R$ 40 mil, considerando a cotação média do dólar.
O deslocamento foi autorizado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e inclui, além das diárias, passagens aéreas, seguro-viagem, hospedagem, alimentação e deslocamentos pagos com recursos públicos.
O ponto central da controvérsia está no caráter político da viagem. Embora formalmente classificada como missão oficial do Senado, a assessoria do parlamentar informou que o discurso de Flávio Bolsonaro na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, em Jerusalém, terá como foco diretrizes para um eventual futuro governo e a retomada de relações bilaterais nos moldes do governo de Jair Bolsonaro.
O evento, que ocorre nos dias 26 e 27 de janeiro, conta com apoio de integrantes do governo israelense e terá discurso do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Flávio Bolsonaro também participará de um jantar de gala restrito a autoridades, ampliando o caráter diplomático e político da agenda.
Críticos apontam que a viagem mistura atividade institucional com promoção pessoal e eleitoral, levantando questionamentos sobre o uso de recursos públicos para fins políticos. A agenda do evento aborda temas sensíveis, como teorias da conspiração antissemitas e a relação entre imigração e aumento do antissemitismo na Europa, mas a participação do senador brasileiro ocorre em um contexto explícito de articulação com a direita internacional.
Indicado pelo pai
Flávio foi indicado como pré-candidato a Presidência por pelo ex-presidente Jair Bolsonaro de dentro da sela Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília.
A escolha visa dar continuidade ao projeto político do pai, unificar o movimento bolsonarista e enfrentar o presidente Lula. A nomeação de Flávio não é consensual, enfrentando resistência de aliados e até mesmo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com o objetivo de articular outros nomes para a disputa.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, iniciada após o trânsito em julgado da condenação pelo STF em novembro de 2025, sendo atualmente transferido para uma unidade no Complexo da Papuda, em Brasília.
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