Amazonas

Área do Porto da Terra Preta é considerada de risco desde 2018

MANAUS (AM) – O deslizamento de terra que causou desastre de grandes proporções na tarde dessa segunda-feira (7) no Porto da Terra Preta, em Manacapuru, no Amazonas, já havia sinais de que poderia acontecer. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra uma grande rachadura na terra próximo de onde aconteceu a tragédia.

O Serviço Geológico Brasileiro (SGB) alertou, por meio de relatório em 2018, que o município tinha 14 setores que colocava 990 imóveis em risco, totalizando aproximadamente 4.941 pessoas em
risco.

Estudo mostrou que estes setores na orla do Rio Solimões podem sofrer solapamento de margem fluvial, causado, ou na fase de vazante do rio, ou pela própria correnteza. O motivo é o crescimento desordenado, alguns setores aumentaram de tamanho e novos setores apareceram em loteamentos surgidos após 2013,

“Em grande parte, o aumento e surgimento dessas áreas de risco, além da ocupação desordenada, é o relevo e a estrutura do solo, que é majoritariamente composto por grãos de areia, possuindo assim pouca coesão e ângulo de estabilidade baixo”, diz o relatório.

(Fonte: Serviço Geológico do Brasil)
Local de moradia e trabalho

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela fiscalização da estação hidroviária próxima ao acidente, sinalizou a área, para evitar que as pessoas se aproximem no local. A área era utilizada para chegada e saída do município e moradia em flutuantes e comércio de pescado.

Até o momento, segundo o governo do Amazonas, foi registrado o desaparecimento de uma criança de seis anos e outras nove pessoas foram encaminhadas ao Hospital Regional Lázaro Reis, localizado no município, com escoriações.

Porém, segundo a Prefeitura de Manacapuru, além da criança, Letícia Correia de Queiroz, de seis anos, outras três pessoas podem estar desaparecidas: o homem que trabalha como gari identificado apenas como Bruno; ⁠o pescador Jorge Facondi, de 64 anos e um morador do município vizinho de Caapiranga, Frank Lins Pinheiro, de 37 anos.

Questionada pelo portal JIRAU NEWS o motivo do local não ter sido interditado antes, a Defesa Civil do Amazonas disse, em nota, que a “responsabilidade” de monitoramento da área cabe à Defesa Civil Municipal de Manacapuru. “Ressaltamos, ainda, que só tivemos conhecimento da rachadura no local após o recebimento de vídeos que circularam nas redes sociais nesta data (08/10). A Defesa Civil Estadual já está em contato com as autoridades locais para colaborar nas medidas necessárias e prestar todo apoio técnico que for preciso”, diz a nota.

A Defesa Civil do Município não respondeu ao mesmo questionamento.

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Aldizangela Brito

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