MANAUS (AM) — O nível do Rio Solimões em Tabatinga, Amazonas, atingiu um recorde histórico negativo de -94 cm, conforme o último relatório do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) divulgado nesta sexta-feira (30). Este é o menor nível já registrado no trecho, superando o recorde anterior de −86 cm de 2010.
O índice negativo indica que a água está abaixo do nível de referência das medições, e não que o rio esteja seco. Em 2023, o nível foi de −72 cm, conforme o relatório.
A situação no Solimões pode impactar outros rios da região, dado que o Solimões está na cabeceira da Bacia do Amazonas. O boletim hidrológico também mostra níveis baixos nos rios Acre e Madeira. Em Porto Velho, o Madeira registrou 134 cm, o segundo menor nível já documentado, com uma redução de 7 cm na última semana.
O nível mais baixo foi de 110 cm no ano passado. No Rio Acre, em Rio Branco, o nível foi de 131 cm, o terceiro menor da série histórica, com recordes anteriores em 2022 e 2016.
A situação também é preocupante nos rios Amazonas e Negro. Em Itacoatiara e Parintins, no Amazonas, os níveis caíram 18 cm e 14 cm, respectivamente, ficando abaixo do esperado para a época. No Rio Negro, em Barcelos, o nível caiu 10 cm, ficando 40 cm abaixo do normal.
O relatório cobre o período de 30 de julho a 28 de agosto de 2024 e aponta chuvas abaixo da média em várias bacias amazônicas. O SGB havia alertado na semana passada sobre a possibilidade de níveis críticos em 2024, com riscos elevados de seca histórica no Solimões em Fonte Boa (53% de probabilidade) e Itapéua (31%). No rio Purus em Beruri, a probabilidade é de 34%, e no rio Negro em Manaus é de 16%. No rio Amazonas em Itacoatiara, a probabilidade é de 14%.
LEIA TAMBÉM: