Foto: Reprodução
GAZA – Os fotojornalistas Abed Shaat e Anas Ghoneim e o correspondente Muhammad Qashta estão entre as vítimas de um ataque aéreo de Israel ocorrido nesta quarta-feira (21), na Faixa de Gaza. Os três profissionais de mídia viajavam em um veículo de uma organização humanitária quando foram atingidos na região central do enclave palestino.
Segundo a imprensa árabe, ao menos cinco pessoas morreram no ataque. As vítimas estavam acompanhando a situação de um acampamento montado pelo Comitê Egípcio de Ajuda Humanitária, na área de Al-Zahra. Além de atuar como correspondente, Muhammad Qashta também trabalhava para uma ONG egípcia.
Fontes palestinas informaram que o grupo se deslocava em um jipe pertencente ao Comitê Egípcio, que ostentava claramente o emblema da organização, conforme registrado em vídeo divulgado por um jornalista local. A identificação visual reforça o caráter humanitário da missão, ponto central de controvérsia sobre a ação militar.
Em resposta, um porta-voz militar de Israel afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) identificaram “vários suspeitos que estavam usando um drone do Hamas, representando uma ameaça às tropas, e atiraram contra o veículo”. A declaração busca justificar o ataque, mas contrasta com os relatos de que o carro era de ajuda humanitária e estava identificado, alimentando questionamentos e denúncias.
O episódio se soma a um cenário alarmante para a imprensa em zonas de conflito. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, 67 jornalistas foram assassinados no mundo em decorrência direta do exercício da profissão. Pelo menos 29 eram palestinos na Faixa de Gaza, o que representa 43% do total, segundo a organização internacional Repórteres sem Fronteiras.
Do total de profissionais mortos no último ano, 64 eram homens e três mulheres. Os números reforçam o risco extremo enfrentado por jornalistas que atuam em áreas de guerra e levantam alertas sobre liberdade de imprensa, proteção a civis e responsabilização internacional.
A morte de jornalistas em um veículo humanitário atinge diretamente o direito à informação, compromete o trabalho de organizações de ajuda e aumenta a pressão diplomática sobre ações militares em áreas densamente povoadas. Em conflitos prolongados, cada ataque desse tipo aprofunda a desconfiança, amplia a crise humanitária e reduz a transparência sobre o que acontece no terreno.
A Repórteres Sem Fronteiras alerta que campanhas de difamação e deslegitimação contra jornalistas palestinos têm sido usadas como instrumento para justificar ataques letais na Faixa de Gaza. Segundo a organização, profissionais da imprensa são acusados, sem provas, de vínculos com grupos armados, encenação de imagens ou “propaganda”, em estratégias que fragilizam sua proteção como civis.
Essas campanhas incluem montagens com chamadas explícitas ao assassinato, acusações baseadas em vínculos familiares ou simples proximidade geográfica com alvos militares — argumentos que, segundo a RSF, não têm qualquer validade à luz do direito internacional.
O fotojornalista Anas Zayed Fteiha foi alvo de campanha de difamação, acusado falsamente pelo jornal Bild de encenar imagens de distribuição de alimentos; acusação posteriormente desmentida.
De acordo com a entidade, mais de 210 jornalistas foram mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. Em ao menos 56 casos, há evidências de que foram alvos diretos ou assassinados no exercício da profissão.
“As campanhas de desprestígio fazem parte de uma estratégia que leva à legitimação do assassinato de jornalistas em Gaza”, afirmou Thibaut Bruttin, diretor-geral da RSF.
A organização também denuncia o uso massivo de desinformação nas redes sociais, incluindo a narrativa conhecida como “Gazawood”, amplificada por contas influentes e até por canais oficiais, com o objetivo de desacreditar o jornalismo produzido em Gaza e confundir a opinião pública internacional.
“Gazawood” (Gaza + Hollywood) é um termo usado para desacreditar o jornalismo feito na Faixa de Gaza, insinuando falsamente que imagens, vídeos e relatos produzidos por jornalistas palestinos e até de outros países seriam encenados ou fabricados, em uma comparação pejorativa com produções de cinema, apesar de essas acusações frequentemente não terem comprovação factual.
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