Foto: Reprodução
IRANDUBA – Um vídeo gravado por pais de alunos da zona rural de Iranduba expôs um grave risco à segurança de estudantes e reacendeu críticas à gestão do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil). As imagens mostram um ônibus escolar da rede municipal circulando com um pneu em estado crítico, literalmente se desfazendo, na estrada do Janauari, uma das principais vias de acesso às comunidades rurais do município.
O vídeo foi enviado ao líder comunitário Benedito Leite, morador do Novo Paraíso (quilômetro 6) e presidente da Associação dos Moradores e Agricultores Rurais da Comunidade São José II (quilômetro 5). A gravação ampliou a cobrança por providências às vésperas do início do ano letivo.
“A gestão fala em educação de excelência, mas está muito longe disso. Ônibus nessas condições colocam vidas em risco”, afirmou Benedito Leite.
Nas imagens, é possível ver o pneu do ônibus escolar com pedaços arrancados, levantando poeira e levantando o temor de um acidente a qualquer momento. Um dos pais de alunos faz um alerta direto e isenta o motorista de responsabilidade.
“O motorista não tem culpa de nada. Ele é responsável por várias vidas aqui dentro. Se acontece algo com essas crianças, a culpa é de quem deixou o ônibus nessas condições”, disse.
Moradores afirmam que o problema não é pontual, mas reflexo de falhas recorrentes na manutenção da frota escolar e no abandono das estradas rurais, sob responsabilidade da Prefeitura de Iranduba.
A Estrada do Janauari, fundamental para o transporte escolar, agricultura e comércio local, segue sem pavimentação adequada. Buracos, lama no período chuvoso, poeira no verão e ausência de coleta regular de lixo fazem parte da rotina de quem vive na região.
O cenário se repete em outros ramais e distritos do município:
Ramal do Creuza: moradores relatam que uma obra iniciada pela prefeitura foi abandonada, deixando a estrada em situação pior.
“Bagunçaram tudo e não concluíram nada. Nem máquina passaram para tirar a lama”, afirmou o comerciante Valdo Guimarães.
Ramal do Castanhal: a lama impede até a passagem de ambulâncias.
Ramal do Santo Antônio: moradores precisaram tapar buracos e fazer roçagem por conta própria.
Ramal do Caldeirão: parte da estrada desmoronou no dia 9 de janeiro, bloqueando o tráfego e afetando diretamente famílias que dependem do turismo.
No distrito do Cacau Pirêra e na zona urbana de Iranduba, os problemas de mobilidade também são constantes, com ruas esburacadas, drenagem precária e dificuldade de tráfego.
Segundo André Peres, presidente da Associação Rural da Comunidade São Francisco, a situação é ainda mais grave diante do anúncio de R$ 7,5 milhões em recursos do Ministério da Agricultura para a pavimentação do Ramal do Creuza.
“Nada avançou. Caminhões pesados de lixo passam dentro das comunidades, abrem crateras, espalham lixo e levantam poeira. Isso é descaso com o dinheiro público”, criticou.
Em outubro de 2025, o secretário municipal de Obras, Yago Brandão, atribuiu os atrasos a um “verão atípico” de chuvas e pediu paciência à população. À época, afirmou que máquinas e materiais estavam nos canteiros.
Meses depois, moradores garantem que a realidade segue a mesma ou pior, apesar das justificativas oficiais.
Em dezembro, o prefeito Augusto Ferraz publicou um vídeo anunciando o início da pavimentação do Ramal do Creuza com verba federal destinada pelo senador Omar Aziz (PSD). Nos comentários, moradores cobraram obras em outras vias e lembraram que a emenda teria sido destinada ainda em 2020.
“Esperamos que não seja mais uma obra que fique pela metade”, comentou um morador.
Em nota recente, a Prefeitura de Iranduba informou que atua em parceria com o Governo do Estado para solucionar a situação da Estrada do Caldeirão. Ainda assim, lideranças comunitárias cobram respostas diretas do prefeito sobre a manutenção das estradas, a segurança do transporte escolar e a aplicação efetiva dos recursos públicos.
Com o início das aulas se aproximando, moradores alertam que o vídeo do ônibus escolar não pode ser tratado como um caso isolado, mas como um sinal claro de omissão administrativa diante de riscos conhecidos e reiteradamente denunciados.
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