MANAUS (AM) — O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) lançaram, na sexta-feira (6), uma campanha nacional voltada para orientar as populações indígenas sobre como lidar com os incêndios florestais, que têm se intensificado devido à seca em várias regiões do Brasil.
Com uma duração de 45 dias, a campanha utilizará diversos meios de comunicação, incluindo informes, boletins de rádio, podcasts, postagens em redes sociais e vídeos com autoridades e especialistas. O objetivo principal é fornecer diretrizes para o controle do fogo, uma prática tradicionalmente utilizada pelas comunidades indígenas.
O manejo controlado do fogo é crucial para os sistemas produtivos indígenas. Com o aumento das temperaturas e a intensificação da seca, é essencial assegurar que as queimadas sejam realizadas seguramente para evitar que se espalhem descontroladamente.
A abordagem do Manejo Integrado do Fogo (MIF) combina práticas tradicionais com estratégias técnicas para o controle de incêndios. Esta metodologia visa reduzir a quantidade de combustíveis disponíveis e criar barreiras naturais para conter o avanço do fogo. Em colaboração com o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), a Funai apoia essas práticas para proteger as Terras Indígenas e suas comunidades.
Iniciado em 2013, o Programa de Brigadas Federais em Terras Indígenas (BRIFs-I) é uma parceria entre a Funai e o Prevfogo, vinculado ao Ibama. O programa facilita a formação e contratação de brigadistas, muitos dos quais são indígenas, para atuar na prevenção e combate a incêndios. Para 2024, estão previstas 62 brigadas para operar em cerca de 40 Terras Indígenas, com a possibilidade de expansão devido a crédito extraordinário.
Além disso, a Funai oferece apoio técnico e financeiro para ações preventivas, como a construção de aceiros e a promoção de educação ambiental. Em casos de incêndios, as unidades descentralizadas da Funai, como Coordenações Regionais e Frentes de Proteção Etnoambiental, são mobilizadas para coordenar as ações de combate. Quando há sobreposição entre terras indígenas e unidades de conservação, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Corpo de Bombeiros também são envolvidos.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou um aumento significativo nos focos de incêndio em 2024, com 109.943 ocorrências de janeiro a agosto, marcando um aumento de 78% em relação ao ano anterior. A estiagem e as altas temperaturas, que chegaram a até 43 °C em algumas regiões, exacerbam o risco de incêndios.
As comunidades indígenas são orientadas a seguir as diretrizes sobre o manejo do fogo e a construir aceiros para prevenir a propagação dos incêndios. Informativos serão disponibilizados para auxiliar na implementação de técnicas de queima controlada, visando proteger tanto os territórios indígenas quanto o meio ambiente.
LEIA TAMBÉM