Washington – Indicado ao Prêmio Nobel da Paz e apresentado por aliados como um possível mediador dos principais conflitos armados do planeta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vive uma contradição crescente no cenário internacional. Enquanto afirma atuar como interlocutor nas negociações da guerra entre Rússia e Ucrânia e no conflito entre Israel e Hamas, o governo norte-americano intensificou ações militares diretas em diferentes regiões do mundo.
Nos últimos 12 meses, forças armadas dos Estados Unidos, sob a ordem de Trump, bombardearam ao menos sete países: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália. A ofensiva mais recente e considerada a mais intensa ocorreu na Venezuela, culminando no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, confirmada pelo próprio Trump no sábado (3).
O ataque a Caracas marcou o ponto mais elevado da escalada de tensão na América Latina e no Caribe. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, a operação foi parte de uma série de ações iniciadas em julho, quando os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar na região sob a justificativa de combater supostos narcoterroristas.
Desde então, militares norte-americanos realizaram bombardeios contra mais de 20 embarcações no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. As ações resultaram em mais de 100 mortes. O governo dos Estados Unidos afirma que todas as vítimas tinham ligação com o narcotráfico e o terrorismo, porém não apresentou provas públicas que sustentem essas acusações.
A sucessão de ataques levanta questionamentos na comunidade internacional sobre o papel dos Estados Unidos na promoção da paz global e sobre a coerência entre o discurso diplomático adotado por Trump e a prática militar de seu governo. Especialistas avaliam que as ações podem aprofundar instabilidades regionais e provocar novos impasses diplomáticos, especialmente na América Latina.
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