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Amazonas

OPINIÃO: Os pilares da crise na educação e saúde pública

Estudante leva ventilador de casa para escola (Foto: Reprodução)

Por Hetha Cristina*

A educação e a saúde são dois setores importantes para o desenvolvimento da sociedade, em meu ponto de vista. Entretanto, observando a realidade ao meu redor e vivendo essa realidade, não posso deixar de expressar minha frustração com a atual situação desses setores em nosso País e em nossa cidade.

Eu vivencio ambos os lados, trabalhando no setor público na área da saúde e sendo estudante de Pedagogia, mas já tendo vivência em escola, direta e indiretamente, por conta dos meus pais que são professores.

Começando pelo setor da saúde, posso falar quão sucateado e maquiado nosso sistema é. Infelizmente, hospitais e unidades básicas estão lotados, com pacientes que aguardam meses, às vezes até anos, na fila para realizar um exame ou uma consulta, que muitas vezes é de suma importância para um diagnóstico e para a definição do seu futuro. Porém, não dá para deixar de falar que nossos governantes mascaram e “vendem” na mídia um sistema perfeito, sem falhas, sem filas, tudo ocorrendo na mais perfeita ordem.

Além disso, vejo profissionais sobrecarregados e subvalorizados, cobrados por algo que sequer têm recursos para resolver. A pandemia nos mostrou quão frágil nosso sistema é; hospitais entraram em colapso, não estávamos preparados para um evento como esse. Ali, percebemos profissionais exaustos e um esquema podre, onde pessoas foram tratadas como objetos. A pandemia nos mostrou nosso lado humano e desumano.

E o que veio após a pandemia? Um sistema ainda mascarado e, pior, uma saúde mental desassistida e negligenciada. Políticas públicas para saúde mental foram “extintas”, encobertas por máscaras, como se fossem algo inexistente. O aumento dos casos de depressão, ansiedade e outras doenças mentais é alarmante, e o suporte psicológico disponível é insuficiente para atender à demanda crescente.

Por outro lado, o que falar da educação? É frustrante ver como o sistema público de ensino está sucateado. As escolas, muitas vezes, têm uma infraestrutura precária, com salas de aula superlotadas e materiais didáticos insuficientes. Isso sem mencionar a desvalorização dos professores, que são mal remunerados, desmotivados e, assim como na saúde, muito cobrados. Como podemos esperar que nossas crianças e jovens tenham um futuro promissor se não investimos adequadamente em sua formação?

Os impactos dessa negligência são visíveis. O índice de evasão escolar é alarmante, e a qualidade do ensino deixa muito a desejar. Muitos alunos concluem o ensino médio sem habilidades básicas em leitura, escrita, interpretação e matemática. Além disso, a desigualdade educacional é gritante; enquanto algumas escolas particulares oferecem um ensino de excelência (o que me deixa com certa dúvida, mas deixamos para outra hora), a maioria das escolas públicas luta para fornecer uma educação minimamente adequada.

Observando ambos os setores, também não posso deixar de citar que pagamos para trabalhar. Muitas vezes, não temos o mínimo, e vivemos das famosas “cotinhas”: da água, do gás, do café, do papel e por aí vai, coisas que deveriam no mínimo ser fornecidas.

Diante desse cenário, me pergunto: até quando vamos tolerar essa situação? A educação e a saúde são direitos fundamentais garantidos pela nossa Constituição, mas parece que esses direitos são constantemente violados pela falta de investimento e gestão ineficaz. É urgente que o governo e a sociedade na totalidade priorizem esses setores, garantindo condições dignas para todos os cidadãos.

Investir em educação e saúde não é apenas uma questão de justiça social, mas também de desenvolvimento econômico. Um País com uma população bem-educada e saudável tem mais chances de prosperar.

(*) Acadêmica de Pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

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